As Influências da Arte Moderna em Limite

Danielle de Oliveira Bermêo

Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília – IESB

Graduação em Comunicação Social com Habilitação em Cinema e Mídias Digitais2018

Orientador: Prof.ª M.ª Julia Maass

Resumo

A arte moderna revolucionou e questionou o modelo artístico vigente no começo do século XX e segue influenciando o mundo da arte até os dias de hoje. Na Europa, diversos movimentos surgiram, como o cubismo, o surrealismo, o expressionismo, o dadaísmo, entre outros, e cada um representava um lado novo e único de se fazer arte, com suas opiniões e estéticas distintas, mas sempre com a ideia de se afastar do formato artístico herdado ao longo da história. Assim que alguns artistas brasileiros entraram em contato com o que estava acontecendo na Europa, tiveram o interesse de fazer algo similar no Brasil, mas discutindo assuntos e temáticas brasileiras. O modernismo das artes plásticas respingou na produção cinematográfica da época, principalmente na Europa, e é possível notar alguns exemplos nacionais onde se pode observar essa influência. O presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo compreender como a arte moderna e suas variações refletiram no cinema nacional a partir da análise do filme Limite, de Mário Peixoto.

Abstract

Modern art has revolutionized and questioned the prevailing artistic model at the beginning of the 20th century and it continues to influence the world to this day. In Europe, different movements emerged, such as cubism, surrealism, expressionism, dadaism, among others, and each one of them represented a new and unique side of making art, with its various opinions and aesthetics, but always with the idea of moving away from the artistic format inherited throughout history. As soon as some Brazilian artists got in touch with what was happening in Europe, they had the interest of doing something similar in Brazil, but discussing brazilian subjects and themes. The modernism of the plastic arts has splattered in the cinematographic production of the time, mainly in Europe, and it's possible to notice some national examples where this influence can be observed. This final paper aims to understand how modern art and its variations reflected in the national cinema from the analysis of the film Limite, by Mario Peixoto.

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AS INFLUÊNCIAS DA ARTE MODERNA EM LIMITE

CENTRO UNIVERSITÁRIO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASÍLIA – IESB

Graduação em Comunicação Social com Habilitação em Cinema e Mídias Digitais

DANIELLE DE OLIVEIRA BERMÊO

BRASÍLIA 2018

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como pré-requisito para obtenção do grau de Bacharel em Cinema e Mídias Digitais pelo Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB).

Orientador: Prof.ª M.ª Julia Maass

Dedico este trabalho à Roberta e à Andreza, que me apresentaram a arte moderna da forma mais apaixonada possível e me fizeram perceber o quanto a arte e a literatura são essenciais para mim.

Tupy, or not tupy that is the question. (Oswald de Andrade)

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS

1. INTRODUÇÃO

O movimento de vanguarda começou a surgir na Europa no início do século XX, num contexto em que a população além de sentir as consequências tecnológicas da Revolução Industrial, também se via diante à Primeira Guerra. Os artistas, então, questionaram seu lugar e o lugar da arte no mundo e começaram a expressar a solidão, a angústia, o caos, a tecnologia, a guerra e tudo o que estavam vivendo em diferentes formas. Daí surgem as vanguardas Surrealista, Expressionista, Impressionista, Cubista, Dadaísta e Futurista, cada uma com características e propostas específicas.

Alguns anos depois, em 1922, o modernismo na arte chegou de fato ao Brasil, com o nome e a atitude estampados nos artistas que decidiram juntar suas obras que traziam características herdadas das vanguardas europeias, mas com uma temática totalmente brasileira, no Teatro Municipal de São Paulo e fazer um evento que se tornaria histórico para o país: a Semana de Arte Moderna.

Os artistas modernistas do Brasil, em sua grande maioria, estudaram por um período de tempo na Europa, lá tiveram contato com a arte moderna europeia e os movimentos de vanguarda e aplicaram esses conhecimentos em suas obras, juntando-os com a essência brasileira.

Durante a década de 30, quando o modernismo estava efervescente no Brasil, foi feita uma produção cinematográfica que possui relação com esse modo novo de pensar a arte e de se expressar: Limite, do diretor Mário Peixoto, traz uma atmosfera onírica, sem ordem cronológica, planos que quando estão juntos formam um novo significado, com referências surrealistas, expressionistas e impressionistas.

Este trabalho tem como objetivo geral analisar de que forma o movimento modernista influenciou o filme Limite. Os objetivos específicos são compreender as vanguardas europeias, suas características e suas várias vertentes, o movimento modernista brasileiro e a Semana de Arte Moderna de 1922 e mostrar seus pontos de convergência. Também analisa Limite, uma das poucas obras nacionais feitas no mesmo período em que o Modernismo estava consolidado no Brasil, e traça paralelos entre essa obra e os movimentos artísticos que serviram de referência.

O trabalho em questão se trata de uma análise de conteúdo e utiliza a coleta de dados através de pesquisas bibliográficas. Foi dividido em quatro principais partes para atingir da melhor forma seus objetivos. Na primeira discorre sobre como ocorreram os movimentos de vanguarda nas artes plásticas, tanto na Europa, com as vanguardas europeias, quanto no Brasil com a Semana de 22. Na segunda relaciona esses movimentos que aconteceram no universo plástico com os que aconteceram no cinema, ressaltando suas semelhanças e diferenças. Na terceira dá um panorama da história do cinema brasileiro, desde seu começo até 1931, e a partir daí analisa o filme Limite e sua relação com a arte moderna.

Visto que Limite é uma das obras mais relevantes da história do cinema nacional, é importante discutir de onde vieram as referências artísticas usadas por Mário Peixoto e estudar a relevância da arte moderna e suas influências na indústria cinematográfica, pois servem como criação de referência para os mais variados tipos de trabalho, além de refletir sobre como o cinema pode “beber” de outras linguagens artísticas e como esses diferentes meios de expressão podem conversar.

2. VANGUARDAS NAS ARTES PLÁSTICAS

A palavra vanguarda tem origem francesa e significa estar na frente, marchar na frente. A arte carregou e aplicou esse mesmo significado, no sentido de quebrar com os padrões artísticos do passado e trazer algo inovador e revolucionário, além de lutar para abrir novos caminhos artísticos.1 Na Europa surgiram em diversas vertentes únicas e distintas, mas no Brasil houve uma mistura de características herdadas, pois os artistas brasileiros não queriam replicar os movimentos europeus e sim criar uma arte expressamente nacional, pegando as referências europeias (na forma de pintar, nas cores, nos formatos, nas críticas) e transformando-as em uma arte com temática sobre o Brasil e sua cultura.

2.1 VANGUARDAS EUROPEIAS

As vanguardas europeias surgiram num contexto histórico em que a população sentia as consequências tecnológicas oriundas da Revolução Industrial nos séculos XVII e XIX e logo depois dos horrores da Primeira Guerra, que aconteceu simultaneamente a alguns movimentos vanguardistas e movimentos políticos, como o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha e a Revolução Russa.2

Toda essa situação fez os artistas da época se perguntarem se fazia sentido produzir uma arte acadêmica, polida e dentro dos conformes pré-estabelecidos pelos movimentos anteriores se a realidade vivida era repleta de novas tecnologias (e com elas, novos questionamentos quanto sociedade) que não existiam na época das artes gregas, romanas, renascentistas, e outras consideradas como alto padrão artístico, se a realidade da época era a guerra, a batalha entre indivíduos que acarretou na batalha individual (o sentimento de impotência diante do contexto histórico, o estado depressivo da população e a falta de perspectiva de melhora). Como retrata Marinetti (1909, p. 1) no manifesto futurista, “Porque nós deveríamos olhar para trás, quando o que queremos é atravessar as portas misteriosas do Impossível? Tempo e Espaço morreram ontem.”

Com todos esses questionamentos, veio a necessidade de criar uma arte que rompesse com os antigos padrões do que era considerado correto, belo e artístico e criar obras inovadoras, que questionavam a sociedade, as guerras, os avanços tecnológicos, os artistas e até a própria arte.

Esse novo jeito de ver a arte veio através de diferentes expressões, formas únicas de ver o mundo que foram separadas por tendências artísticas, com características visuais e propostas distintas. As que tiveram mais reconhecimento foram: Dadaísmo, Surrealismo, Expressionismo, Impressionismo, Fauvismo, Cubismo e Futurismo.

O impressionismo surge em 1874, sendo o movimento que iniciou o modernismo na arte.3 Por ser diferente do que se via no padrão artístico até então, surgiu em um local onde os artistas recusados no salão principal de Paris podiam expor suas obras, chamado Salão dos Recusados. O movimento vem com a ideia de registrar o que se via, seja a natureza, natureza-morta, pessoas, paisagens ou a arquitetura, de forma com que se observasse a atuação da luz sobre o objeto em questão. As obras começaram a ser pintadas ao ar livre para que se pudesse ter uma iluminação natural da cena e poder observar a situação das cores a partir daquele tipo de luz. O uso da iluminação natural obrigava os artistas a pintarem de forma mais rápida, como a luz oscilava com a passagem do tempo e eles queriam registrar a sua incidência no objeto, as pinceladas eram menos precisas, mais fragmentadas e o contorno das imagens se dava pela sua justaposição, não tinha um traço definido. Outra característica das obras impressionistas é que os contrastes vêm através das cores complementares, obtendo uma sombra muito mais natural do que as vistas previamente em outros movimentos artísticos, como o barroco, por exemplo.4

Figura 1: Claude Monet, Impressão, nascer do sol. Óleo sobre tela. Claude Monet, Impressão, nascer do sol. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2ERSW6o. Acesso em 30 de outubro de 2018.

A obra de Claude Monet (figura 1) deu o nome ao movimento, pois 10 dias após a exposição de 1874 no Salão dos Recusados o crítico de arte Louis Leroy publicou na revista Le Charivari um artigo criticando a exposição e os artistas impressionistas. Sobre a obra de Monet, disse

“Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha. (LEROY apud REWALD, 1991, p.233)

A partir da crítica de Leroy, os artistas da exposição ressignificaram o termo, dito como pejorativo, e se intitularam impressionistas. Na pintura acima é possível observar as características presentes no movimento, como por exemplo, as formas da obra são obtidas através da mistura e sobreposição de cores e não com contornos, além de as cores não serem necessariamente as mesmas que os objetos dessa cena tinham na realidade, mas sim a forma como a luz incidia sobre eles.

O expressionismo surge em 1905 com o grupo A Ponte, um grupo de estudantes de arquitetura e trouxe uma abordagem sentimental e mórbida, colocou em pauta o sofrimento, os problemas, as questões sociais, a realidade que estava sendo vivida. O pessimismo e as emoções expressionistas são claramente representadas em suas obras pelas cores fortes, mas sem muita harmonia, com a intenção de se distanciar da realidade pelos temas de miséria e melancolia como resultado dos horrores da guerra, com formas irregulares e longe dos padrões tradicionais, sempre trazendo os sentimentos do artista.

Figura 2: Erich Heckel, Girl Playing the Lute. Óleo sobre tela. Erich Heckel, Girl Playing the Lute. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2SyEOSb. Acesso em 31 de outubro de 2018.

A obra acima é de Erich Heckel, um dos participantes do grupo A Ponte. Esse grupo de artistas foi o primeiro a apresentar as características que depois virariam marca do expressionismo, como os altos contrastes, pinceladas marcadas, figuras tortas ou angulosas e a crítica social.5 Na figura pode se observar algumas dessas características, como por exemplo, as cores, que não retratam a realidade de forma precisa, mas sim de maneira mais sombria com cores frias e marcantes. As formas são angulosas, irregulares e levemente distorcidas, com linhas seguindo em diferentes direções. Essas características estéticas sugerem uma cena com certa melancolia e morbidez, temas recorrentes do movimento expressionista.

O cubismo surge em 1907 para “quebrar” o olhar do espectador sobre o mundo. Foi fundado por Pablo Picasso e Georges Braque e traz as cenas fragmentadas, como se fosse possível olhar um objeto por várias dimensões, mas ao mesmo tempo retratá-las de forma bidimensional, como se abrisse o objeto por inteiro e o expusesse totalmente fracionado. O movimento não tem pretensão alguma de retratar fidedignamente a realidade, pelo contrário, visa fragmentar, recortar e colar de diferentes maneiras o objeto em questão. As cores também costumam ser bastante planas, deixando as figuras pouco identificáveis. Deu-se esse nome ao movimento porque as formas geométricas são o meio que o artista usa para dividir e segmentar o objeto. Os cubistas foram tão a fundo na fragmentação que em dado momento as imagens ficaram irreconhecíveis, apenas pareciam várias formas geométricas juntas, essa etapa foi chamada de cubismo analítico. No cubismo analítico as cores ficaram cada vez mais similares entre si e com pouco contraste, geralmente se reduziam a tons de amarelo, cinza e marrom, porque o que importava para os artistas era o formato.

Figura 3: Georges Braque, Homem com Violão. Óleo sobre tela. Georges Braque, Homem com Violão. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2JtHAnJ. Acesso em 31 de outubro de 2018.

Na figura acima pode-se observar a presença de características do cubismo analítico. O homem com o violão é retratado de todos os ângulos mas sem perspectiva, trazendo esses diferentes lados do personagem sem tridimensionalidade. Os formatos também são geometrizados e em alguns pedaços da tela, como o torso e a lateral direita, a imagem quase se torna irreconhecível no meio do aglomerado de linhas e ângulos. As cores seguem o padrão encontrado nessa vertente do cubismo, o cinza, o dourado e o bege.

Em contrapartida, o cubismo sintético buscou deixar as obras mais reconhecíveis para os espectadores, os artistas começaram a usar alguns elementos comuns como palavras, pequenos desenhos, colagens e materiais como vidro, metal, areia e madeira.

Figura 4: Juan Gris, La guitare devant la mer. Óleo sobre tela. Juan Gris, La guitare devant la mer. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2SDzcpH. Acesso em 01 de novembro de 2018.

A obra de Juan Gris continua representando os objetos por mais de um ângulo e com formas geométricas, mas agora traz perspectiva e signos mais reconhecíveis, como a figura da guitarra, o jornal, o fundo de mar e montanhas. As cores também se alteram, têm mais presença e diversidade e reforçam a profundidade alcançada pelas formas. As letras do jornal estão presentes na obra para conectá-la com o espectador e trazer mais um elemento identificável para o público.

O movimento fauvista também surge em 1905 e se aproxima do expressionismo por ter a presença das cores fortes e vibrantes, mas a temática aqui é diferente. Os fauvistas traziam a expressão da alegria e dos objetos decorativos. As características que esse movimento traz estão principalmente no uso das cores: são fortes, vívidas e puras, sem matização. Quem seleciona a presença delas é o artista, sem buscar nenhuma ligação com a realidade. As pinceladas também são largas, podendo até deixar manchas nas obras.

Figura 5: Henri Matisse, Harmonia em Vermelho. Óleo sobre tela. Henri Matisse, Harmonia em Vermelho. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2PJrMCY. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Em Harmonia em Vermelho, Matisse junta os principais elementos do fauvismo. Os objetos e os motivos decorativos são grande parte da obra, além de ter cores puras e vibrantes. Possui pouca sombra e ideia de profundidade, visto que o papel de parede e a toalha de mesa quase se confundem.

O movimento futurista traz a exaltação do futuro, das máquinas, do moderno e, principalmente, da sensação de movimento. Ele começa em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, que declarava rompimento definitivo com os conceitos de arte pré-estabelecidos. A proposta futurista que mais se observa nas obras é a movimentação, expressada pela junção de linhas retas e curvas, buscando a sensação de uma sequência de fotografias, porém de forma estilizada e geométrica. O futurismo foi muito atrelado ao seu contexto histórico, pois os criadores do movimento foram fortemente influenciados pelo fascismo italiano. Acreditavam que o passado, incluindo toda a arte produzida nesse período, fosse completamente apagado e a partir de então o que valeria seria a nova arte. Segundo o historiador italiano Benedetto Croce (1924, p. 239), “a origem do ideal fascista é realmente encontrada no futurismo [...] que trouxe a ideia de que é preciso sair às ruas, impor sua perspectiva, calando a voz daqueles que não concordam [...] o desejo de romper com todas as tradições [...]”.

Figura 6: Giacomo Balla, Velocitá di motocicletta. Giacomo Balla, Velocitá di motocicletta Fonte: https://bit.ly/2D6Vuem. Acesso em 07 de novembro de 2018.

A imagem acima retrata na pintura exatamente os ideias futuristas: exalta o movimento através da figura da motocicleta de forma repetida, como se fosse uma sequência de fotografias lado a lado. As linhas curvadas em ângulos suaves reforçam a ação e a rapidez da imagem. Também traz o tema industrial, exaltado no manifesto, com a presença da moto.

Diferentemente do dadaísmo, do surrealismo e do expressionismo, os futuristas exaltavam a guerra e acreditavam que seria a única maneira de higienizar o mundo.6 No manifesto futurista, Marinetti, uma das principais figuras do movimento, diz que:

Nós cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; nós cantaremos a canção das marés de revolução, multicoloridas e polifônicas nas modernas capitais; nós cantaremos o vibrante fervor noturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas elétricas; estações de trem cobiçosas que devoram serpentes emplumadas de fumaça; [...] locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de aço freados por tubulações; e o vôo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um público entusiasmado. (MARINETTI, 1909, p. 1)

O dadaísmo surge em 1916 como um reflexo direto da decepção e descrença da população europeia com a religião, a ciência, a filosofia e a própria arte diante da Primeira Guerra Mundial. O sentimento que havia sobre essas vertentes era o de que falharam pois não conseguiram evitar a destruição na Europa. Esse movimento trazia a proposta de negar a própria arte, questionar seu propósito, muitas vezes até sendo ilógico, sem ligação com o racional. Os dadaístas queriam satirizar e ridicularizar todo o sistema político, os artistas anteriores e a guerra, por isso trouxeram o conceito de ready-made, quando se tira um objeto do seu contexto funcional e o coloca na posição de obra arte. As obras dadaístas geralmente são colagens ou ready-mades, questionando a forma material e a função da arte.

Figura 7: Marcel Duchamp, Roda de bicicleta. Roda de metal montada em um banco de madeira pintado. Marcel Duchamp, Roda de bicicleta. Roda de metal montada em um banco de madeira pintado Fonte: https://bit.ly/2PHwDVf. Acesso em 07 denovembro de 2018.

A escultura de Duchamp representa o dadaísmo porque questiona o que diferencia um objeto ordinário de uma obra de arte juntando uma roda de bicicleta de cabeça para baixo montada em um banco de madeira, utilizando o conceito do ready-made. Faz uma crítica aos movimentos artísticos anteriores, em que os detalhes e a preciosidade eram fatores determinantes para definir o valor artístico de uma obra. Questiona como dois objetos comuns conseguem ter valor dentro de uma galeria e abre precedente para os artistas contemporâneos, que utilizam os mais diversos objetos para criar arte.

Segundo um dos fundadores do movimento dadaísta, Tristan Tzara (1918, p. 12), a palavra “dadá” não significa nada. Em várias línguas ela pode até possuir significados, mas para ele e para o movimento dadaísta ela nada significa. Tzara quer dizer com isso que o próprio nome do movimento não possui um sentido definido, um grande significado por trás, não tem diferença se for usada a palavra dadá ou qualquer outra, porque devido à guerra, nada mais havia sentido.7

No Manifesto Dadaísta, Tristan Tzara define a contradição do dadá, que ao mesmo tempo critica e satiriza o movimento artístico, do qual se torna parte.

Escrevo um manifesto e nada quero, digo porém certas coisas e sou em princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios. [...] Escrevo este manifesto para mostrar que é possível realizar ações contrárias ao mesmo tempo, em um só fôlego fresco; sou contra a ação; quanto à contínua contradição, quanto à afirmação também, não sou a favor nem contra e não me explico porque detesto o bom senso. (TZARA, 1918, p.11)

O surrealismo surgiu muito por influência do dadaísmo, visto que André Breton, um de seus fundadores, participava também do movimento dadaísta. Os movimentos se relacionam porque o surrealismo, à primeira vista, também parece não ter sentido ou alguma lógica, além de criticar as instituições. No entanto, o dadaísmo logo acabou, em 1922, principalmente por fazer ataques contra a própria arte.8 O movimento surrealista tinha como características a representação do onírico, da atmosfera do sonho, uma constante fantasia, a loucura, o impulso, o emocional mais puro, o psíquico, o subconsciente, sem racionalizar a arte, mas senti-la. Como o próprio André Breton (1924, p. 28) disse, a proposta do surrealismo é "resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade". Os artistas surrealistas tinham o costume de ingerir psicóticos para entrar em contato direto com o transe e dali retirar um universo para retratar em suas obras. Como diz a crítica literária Anna Balakian,

Seus desentendimentos com Artaud e Desnos se apoiam largamente na hipótese de Breton de que as aberrações patológicas e artificiais dos mecanismos psico-sensoriais das experiências com substâncias psicoativas tenha deixado certos colegas surrealistas despreparados para a exploração da psique humana. [...] Desse modo Breton se aventurou, com a postura do homem sensato, à colonização de uma plataforma de conhecimentos até então tida como acessível apenas ao lunático, ao ascético, à histérica, e sob o efeito do narcótico. (BALAKIAN, 1974, p. 96, tradução livre)

Além disso, acreditavam no conceito do objet trouvé, a retomada do conceito ready-made presente no dadaísmo, em que qualquer objeto encontrado em qualquer lugar poderia se tornar uma obra de arte.

Figura 8: Salvador Dalí, A persistência da memória. Óleo sobre tela. Salvador Dalí, A persistência da memória. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2w5xjb6. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Em A persistência da memória, Dalí retrata um mundo surreal: relógios derretendo, formigas e uma caricatura completamente deformada do pintor. Os relógios derretidos representam o tempo alternativo presente no surrealismo, o tempo do inconsciente, detalhe que se pode perceber também no cinema surrealista, com a passagem de tempo expressa de forma quebrada e distorcida nos filmes.

Um exemplo de artista surrealista que atuou em diversos campos da arte foi Man Ray, cineasta, pintor, escultor, object maker e fotógrafo, se tornou um dos principais representantes do Surrealismo. Apesar de ter ficado mais conhecido no campo da fotografia, sua conexão com o cinema, com a pintura e com a escultura pôde expandir os horizontes do artista que se aprofundou ainda mais no surreal e no onírico.

Figura 9: Man Ray, The Rope Dancer Accompanies Herself with Her Shadows. Óleo sobre tela. Man Ray, The Rope Dancer Accompanies Herself with Her Shadows. Óleo sobre tela Fonte: https://mo.ma/2Dqv1Jx. Acesso em 07 de novembro de 2017.

Ray também entrou em contato com o movimento dadaísta em seu início, fato que contribuiu e refletiu em suas obras. Além do surrealismo, também pode-se observar no seu trabalho um pouco do nonsense dadaísta e a subversão dos conceitos pré-estabelecidos de arte, ressignificando os objetos.

Figura 10: Man Ray, O Violino de Ingres. Fotografia. Man Ray, O Violino de Ingres. Fotografia Fonte: https://bit.ly/2AQsnKQ. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Figura 11: Man Ray, Presente. Ferro de engomar e pregos. Man Ray, Presente. Ferro de engomar e pregos Fonte: https://mo.ma/2PetKfd. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Pode-se observar que cada vanguarda teve suas características distintas e, apesar de ter a base do discurso em comum, trazer novos padrões artísticos diferentes do que se tinha até então, as características estéticas se diferem e refletem o contexto histórico de cada movimento. Além disso, as características herdadas das vanguardas são encontradas na arte até os dias de hoje e também influenciaram a produção artística em outros países, como por exemplo o Brasil.

2.2 MODERNISMO NO BRASIL E A SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

O modernismo brasileiro começa a existir quando os artistas que fundaram esse movimento vão para a Europa estudar sobre as vanguardas que estavam em evidência no universo das artes e voltam para o Brasil completamente inspirados, querendo transformar o cenário artístico brasileiro. Assim como na Europa, o objetivo do modernismo brasileiro era ir contra o academicismo na arte, inovar os conceitos estéticas e falar muito mais sobre o contexto histórico e social do que era dito antes. Mário de Andrade, um dos precursores do movimento no Brasil, conclui que o modernismo era um movimento revolucionário e que se propunha a trazer uma nova maneira de olhar a arte.

Já um autor escreveu como conclusão condenatória que 'a estética do Modernismo ficou indefinível'... Pois essa é a melhor razão de ser do Modernismo! Ele não era uma estética nem na Europa nem aqui. Era um estado de espírito revoltado e revolucionário que se a nós nos atualizou sistematizando como constância da inteligência nacional e o direito antiacadêmico da pesquisa estética e preparou o estado revolucionário das outras manifestações sociais do país, também fez isto mesmo no resto do mundo, profetizando estas guerras de que uma civilização nova nascerá [...]. (ANDRADE, 1967, p. 241)

Foi o caso de Anita Malfatti, que volta para o Brasil depois de estudar na Europa e faz uma exposição em 1917-1918 que é massacrada pela crítica, especialmente por Monteiro Lobato (1917, p. 4) que dizia que ela tinha “[...] tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e sua companhia.”. Em uma conferência sobre a chegada da arte moderna no Brasil, Malfatti (1951, p. 31) diz que “esta minha exposição de 1914 era composta de estudos expressionistas feitos no ateliê de Lovis Corinth; realmente era a semente do que seria o trabalho apresentado então.”

Figura 12: Anita Malfatti, O homem amarelo. Óleo sobre tela. Anita Malfatti, O homem amarelo. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2FHqTBF. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Na obra de Anita Malfatti pode-se observar a referência das vanguardas, principalmente o Expressionismo, com as pinceladas vigorosas, as cores marcadas (inclusive semelhantes às da figura 2, p. 6) e a luz foge à representação tradicional, explora novas formas de representação.

Depois da exposição de Malfatti e da aparição de outras que também tinham influências das vanguardas europeias mas com contextos brasileiros, os artistas (em diversas áreas, como literatura, música, escultura, artes plásticas, etc.) se organizaram e se reuniram para efetivamente fazer um evento que chocaria até os mais diversos tipos de pessoas9: A Semana de Arte Moderna, de 1922, mais conhecida como a Semana de 22. Nessa semana os artistas ali reunidos apresentaram suas obras e seus ideais.

Uma das vertentes do modernismo brasileiro foi movimento antropofágico ou antropofago, que se iniciou com a publicação do Manifesto Antropofago escrito por Oswald de Andrade, em 1928. A ideia da antropofagia era de deglutir as vanguardas que estavam acontecendo na Europa e devolver ao mundo a arte com essas influências, mas com um conteúdo completamente nacional, abordando o Brasil de uma forma inovadora que não havia antes, o que acabou sendo a ideia central do movimento modernista nacional.

Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question. (ANDRADE, 1928, p. 3)

Quando Tarsila do Amaral, uma das mais renomadas artistas modernas, pintou o Abaporu, presente para Oswald de Andrade, iniciou-se essa ideia da antropofagia na arte nacional. Apesar de não estar presente na Semana de 22, a pintora teve influência direta nas ideias pregadas na Semana e nos artistas que participaram dela.

Figura 13: Tarsila do Amaral, Abaporu. Óleo sobre tela. Tarsila do Amaral, Abaporu. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2OIaBlv. Acesso em 25 de outubro de 2018.

A artista foi influenciada pelas vanguardas europeias, pois trouxe em suas obras a representação do onírico, a junção entre sonho e magia, uma estética que não se encaixava nos padrões da época, referências do Surrealismo, e também o uso de formas geométricas, influenciada pelo Cubismo.

O modernismo no Brasil foi um movimento rico em cultura brasileira e a explorou ao máximo, mesmo que algumas referências estéticas tivessem vindo do movimento europeu. A ideia de antropofagia apresentada por esse grupo persiste na arte nacional como forma de valorizar as temáticas brasileiras e exaltar a cultura do Brasil.

3. VANGUARDAS NO CINEMA

Da mesma forma que as vanguardas foram representadas no universo plástico, também aconteceram no cinema. Aqui serão citadas as vanguardas cinematográficas cujas características refletem no filme Limite, que são Expressionismo, Surrealismo e Impressionismo.

3.1 EXPRESSIONISMO NO CINEMA

Com um contexto histórico onde a cultura de massas dominava o mercado e cada vez mais se via uma arte com críticas ao capitalismo, certo patriotismo e com uma injeção de emoções causada pela Primeira Guerra, o Expressionismo surge na Alemanha com o intuito de retratar toda essa parte emocional dos artistas da época. A indústria cinematográfica alemã tinha acabado de passar por uma intensa campanha negativa feita pelos Estados Unidos durante a guerra, obrigando-a a se suprir sozinha e fazer filmes com essa temática.10

Figura 14: Imagem do filme “O Gabinete do Dr. Caligari” O Gabinete do Dr. Caligari Fonte: https://bit.ly/2ym1nRs. Acesso em 17 de outubro de 2018.

Esse movimento começa a ter espaço no cinema com o filme O gabinete do Dr. Caligari. Com uma atmosfera obscura, estética macabra e temática de loucura, o filme se relaciona diretamente com a temática expressionista ligada às artes plásticas, até porque os cenários do filme são extremamente plásticos. São repletos de curvas, contrastes, formas tortuosas, pouca profundidade, deformidades e exageros e em alguns momentos aborda o sofrimento, as emoções, a miséria, também presentes na forma plástica expressionista, porém muito mais com a perspectiva do terror.

Figura 15: Ernst Ludwig Kirchner, River Bank at Elisabeth (Berlin). Xilogravura. River Bank at Elisabeth (Berlin). Xilogravura Fonte: https://amzn.to/2P6q533. Acesso em 01 de novembro de 2018.

Figura 16: Imagem do cenário do filme “O gabinete do Dr. Caligari” O gabinete do Dr. Caligari Fonte: https://bit.ly/2PxQ97h. Acesso em 16 de novembro de 2018.

Na obra de Kirchner pode-se observar um cenário muito similar ao da imagem de O gabinete do Dr. Caligari. Os ângulos são tortos e com curvas bruscas, geométricas. Por ser uma xilogravura em preto no fundo branco, a semelhança com a imagem do filme se torna ainda mais clara, também em preto e branco, evidenciando o contraste, visto que remete à uma atmosfera macabra, como se fosse retirada de um filme de terror.

Figura 17: Ernst Ludwig Kirchner, Marcella. Óleo sobre tela. Ernst Ludwig Kirchner, Marcella. Óleo sobre tela Fonte: https://bit.ly/2zfA0rW. Acesso em 01 de novembro de 2018.

Figura 18: Imagem do filme “O gabinete do Dr. Caligari” O gabinete do Dr. Caligari Fonte: https://bit.ly/2xooDxa. Acesso em 07 de novembro de 2018.

Outra obra semelhante ao fotograma escolhido do filme é Marcella, do mesmo pintor, pois o rosto da personagem presente na obra é branco com os olhos escuros e com um contorno marcado, tal qual a maquiagem escolhida para o personagem principal.

Os filmes que seguiram continuaram com uma estética e temática similares, como diz Laura Loguercio Cánepa (2006, p. 69), “a marca Caligari persistiria na expressividade dos cenários, no tratamento mágico da luz e na morbidez dos temas - características que ganharam a qualificação genérica de 'expressionistas'”.

Em questão de composição, a mise-en-scène dos filmes ditos expressionistas têm em comum uma maquiagem estilizada, os cenários com formas tortas e angulosas, acentuando os contornos e na fotografia o contraste entre luz e sombra era bastante forte, tudo para criar um ambiente quase irracional.

Nas narrativas herdadas do teatro expressionista, era recorrente a mistura entre o romântico, o drama e o fantástico, muitas vezes atrelado ao sombrio e ao macabro, tendo personagens maus, violentos, demoníacos e monstruosos.

Se evitava contar demais o que estava acontecendo na obra, principalmente os letreiros explicativos que eram comuns na época. Outro recurso era o uso de “narrativa-moldura”, onde se insere uma história inicial dentro de outra com o intuito de justificar o fantástico ou fazer uma autorreflexão11. Além disso, era utilizada a montagem de tableau, quando cada plano se completa, trazendo uma narrativa descontínua e subjetiva.

3.2 SURREALISMO NO CINEMA

O surrealismo, por sua vez, surge na França, apesar de ter representantes espanhóis e de outras nacionalidades. Como as outras vanguardas, também foi motivado pelo período pós-guerra e toda a destruição física e psicológica trazida por ela.

Este movimento rejeitou o modelo conservador de arte, o falso moralismo, a sociedade opressora e todo esse sentimento ruim causado pela guerra e apresentou uma arte que falava do subconsciente, do onírico, do subjetivo e do rompimento do limite entre realidade e sonho.12

Como Michael Gould (1976, p.11) afirma, “Se o surrealismo é alguma coisa, não é o que alguém esperaria que fosse; é outra coisa”, mostrando como o movimento é subversivo a ele mesmo.

Nos filmes, a temática constante é falar sobre os desejos obscuros e reprimidos, como forma de alcançar o subconsciente e geralmente possuem influência da psicanálise de Freud, além da sátira com as figuras de controle da sociedade.

A parte visual e estética foi alcançada através dos recursos visuais presentes na época, como os efeitos especiais, a ambientação sonora e as cores para criar todo esse universo metafórico que o movimento apresenta.

A estrutura narrativa desses filmes possui características não-lineares, com fluxos desconexos, sem continuidade do espaço-tempo, com elementos que aparentemente não se conectam ou ilógicos, inovando a linguagem cinematográfica clássica. Além disso, na montagem, costumavam colocar uma imagem fundindo com a próxima, justamente para reforçar essa atmosfera onírica.

O cineasta surrealista Man Ray aproveitou o momento de experimentação artística na época das vanguardas e fez um cinema experimental, arriscando um novo tipo de linguagem (como por exemplo a polissemia, vista na figura 33). Outra inovação de Man Ray, desta vez em Anémic Cinéma junto de Marcel Duchamp, utiliza discos ópticos para dar o efeito de uma imagem em movimento espiral, apesar de ter planos fixos. Além disso, desenvolveu o rayograph, que consiste em colocar objetos diretamente sobre o papel fotográfico para captar de forma direta os próprios objetos e suas sombras. Essa técnica foi utilizada em diversas fotografias e no filme Le Retour à la Raison e foi nomeada assim por causa de Ray.13

Figura 19: Imagem do filme “La Retour à la Raison” Imagem do filme “La Retour à la Raison” Fonte: https://bit.ly/2yZHdgu. Acesso em 07 de novembro de 2018.

A influência causada pelo modelo surrealista permanece até hoje, muito forte em filmes que querem retratar o subconsciente e o onírico enquanto critica algum tipo de sistema ou a sociedade, como por exemplo Spellbound, de Alfred Hitchcock, que além de na temática utilizar a psicanálise e o mundo dos sonhos, teve Salvador Dalí, o grande nome do movimento surrealista, no design cenográfico de algumas cenas do filme.

Figura 20: Imagem do filme “Spellbound” Imagem do filme “Spellbound” Fonte: https://bit.ly/2AR83ZR. Acesso em 07 de novembro de 2018.

3.3 IMPRESSIONISMO NO CINEMA

O impressionismo também foi diretamente influenciado pela Primeira Guerra, visto que a introspecção e a subjetividade característica desse movimento refletem exatamente o sentimento que se tinha em relação àquela.

O cinema impressionista tem como características a inovação estética, a estilização do ótico quando utiliza recursos como a sobreimpressão, os planos subjetivos e a distorção das lentes da câmera14 e a humanização dos objetos, que agem quase como personagens.

Em questão de narrativa, é recorrente a presença da “trama-pretexto”15, que parte do princípio de um enredo bem simples, dando um enfoque maior no estético e na representação dos planos.

Sobre os cenários, os filmes impressionistas geralmente possuem locações externas ou cenários bem modernos.

Na questão visual, o impressionismo conta com a ajuda de recursos técnicos. Deixar a câmera fora de foco deformando as imagens, adicionar filtros e texturas, colocar uma imagem sobre a outra, ressignificando-as, a montagem rítmica sobreposições e superexposições16 formam um ambiente quase irreal, muito subjetivo e poético. Nesse movimento surgiu o conceito de fotogenia, que consiste em acreditar que a câmera, seus recursos estilísticos e os planos (especialmente primeiros planos) são o necessário para se ter um bom filme, muito além de somente mostrar o objeto de qualquer forma ou ter uma boa narrativa. Utiliza recursos fotográficos ou de edição para dar significados ao filme, experimentando qual recurso enfatiza melhor a narrativa. Sobre o conceito de fotogenia, Jean Epstein declara,

Chamarei fotogenia todos os aspectos das coisas, dos seres e almas que elevam a qualidade moral do filme [...] O cinema deve procurar ser gradualmente, unicamente cinematográfico, quer dizer, usar somente elementos fotogênicos. A fotogenia é a mais pura expressão do cinema. (EPSTEIN, 1951, p. 33)

Um exemplo disso nos filmes de Epstein é quando ele utiliza o slow-motion para obter uma maior carga dramática na cena e também para intensificar a perda de referências tempo-espaciais requerida pela narrariva. No filme A queda da casa Usher, usa a sobreposição de imagens e o primeiro plano para intensificar a tontura na cena de desmaio da personagem, que não precisa ser dita nem escrita, apenas mostrada através da imagem.

Figura 21: Imagem do filme “A queda da casa Usher” Imagem do filme “A queda da casa Usher” Fonte: https://bit.ly/2yZh9Cq. Acesso em 08 de novembro de 2018.

Se tratando de temática, o impressionismo traz uma ideia de memória, como se não fosse o presente momento dos personagens ali, de forma lírica e poética. Isso se dá com a descontinuidade na narrativa e a não-linearidade, reforçando a ideia da introspecção, do psicológico e do interior dos personagens. Outra característica temática é a antropomorfização dos objetos, ou seja, um objeto com valores humanos.

Pode-se observar que as vanguardas no cinema tiveram características estéticas similares às do universo plástico, apesar de adaptarem os recursos estilísticos da pintura para o audiovisual. Os cineastas de vanguarda trouxeram toda a experimentação artística vigente no período para o cinema e ainda hoje é comum encontrar nos filmes a subjetividade narrativa obtida por recursos de câmera, como no impressionismo, cenários macabros e uma estética torta, angulosa e mórbida, oriunda do expressionismo, e a temática dos sonhos e explorar o subconsciente dos personagens, como foi feito no surealismo.

4. CINEMA NACIONAL E LIMITE

O cinema chegou ao Brasil em julho de 1896[17], um ano depois da primeira exibição dos irmãos Lumière. No começo, tratava-se apenas de atrações de parques ou feiras e que tinha como público a elite, já que os ingressos eram caros. Os filmes exibidos eram os mesmos que passavam na França e nos Estados Unidos, ou seja, as vistas.17

O filme de ficção mais antigo que se tem notícia data de 1908, que marca o início da ”Bela Época” do cinema brasileiro (1908-1912). Esse período é caracterizado principalmente pela produção e exibição de filmes brasileiros, pois os impostos de importação eram muito altos para trazer os produtos de fora, então se consumia o produto interno. Os gêneros de filmes que mais lotavam as sessões eram os cantados e os documentais que retratavam crimes que viravam notícia nos jornais (filmes de cavação).18

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos começaram a querer expandir seu mercado cinematográfico, já que não conseguiam mais vender para a Europa, que estava destruída. Assim, começaram a exportar filmes para a América Latina com preços muito baixos, o que acabou quebrando o cinema nacional, que não conseguia competir com os valores do mercado americano. Além disso, as elites brasileiras estavam encantadas com o American way of life do cinema de Hollywood e rejeitavam o cinema brasileiro, considerado como ruim e de má qualidade.19

Nos anos 20 surgiram os Ciclos Regionais, quando distantes do eixo Rio-São Paulo começaram a produzir filmes longe da estética hollywoodiana. O ciclo de maior destaque foi o Ciclo de Recife (1923-1931), que produziu filmes de ficção, com temáticas sociais e regionais, mas que buscava o reconhecimento da elite e usava algumas referências americanas para isso.

Em São Paulo o cinema dos anos 20 teve grande influência dos imigrantes italianos, resultando em produções mais dinâmicas e com a presença de operários, mostrando o crescimento industrial da cidade. No final da década surgiu o Primeiro Estúdio de Cinema Brasileiro, a Cinédia, com a proposta de fazer filmes populares, os chamados filmes de chanchada.20

Também foi no final da década de 20 que surgiu o Cinearte, uma revista que ditava o que era bom e o que não era no cinema nacional. O critério utilizado, porém, era de que os filmes bons eram os que seguiam a estética hollywoodiana e os filmes ruins eram aqueles que tentavam fazer algo diferente disso. A revista participou ativamente da campanha contra o cinema brasileiro e a favor do cinema americano.

Em meio a esse cenário, no ano de 1930, surge Limite. Um filme mudo, em preto e branco, dirigido por Mário Peixoto, um jovem de 19 anos que nunca havia feito cinema antes. A obra vai completamente contra a maré do que estava sendo produzido na época, que eram os filmes cantados, as chanchadas e as cópias mal feitas de Hollywood. Limite traz uma proposta de cinema de arte, com uma narrativa poética, subjetiva e introspectiva, muito próxima das vanguardas europeias, o que causou estranheza e rejeição por parte do público e da crítica da época, que não estavam acostumados com esse tipo de linguagem.

Mário Peixoto morou na Europa durante seus estudos e lá teve contato com a efervescência cultural das vanguardas, assistiu aos filmes expressionistas, surrealistas e impressionistas e trouxe toda essa bagagem para o seu filme. Limite conta a história de três pessoas que estão à deriva em um barco: um homem e duas mulheres. Todos eles estão fugindo de seus passados e se encontram nessa situação limite, sem ter para onde ir, presos em suas próprias memórias e angústias. O filme não tem uma narrativa linear, a história é contada através de flashbacks dos personagens, que se misturam e se confundem, criando uma atmosfera de sonho e mistério.

Limite é um filme de vanguarda, de pesquisa de linguagem, de experimentação. Não quer contar uma história, quer transmitir sensações, estados de alma. É um filme que se sente, não se entende. (PEIXOTO, 1996)21

As referências das vanguardas são claras em Limite. Do impressionismo, Peixoto traz a subjetividade da câmera, a fotogenia, os planos detalhe que mostram a emoção dos personagens sem precisar de palavras, a paisagem como personagem (o mar, a natureza), a luz natural e o contraste. Do surrealismo, vem a narrativa onírica, o tempo psicológico, a montagem que funde imagens e cria novos significados, a temática do desejo e da repressão. Do expressionismo, a angústia dos personagens, o clima de pesadelo, os enquadramentos inusitados e a iluminação dramática.

Figura 22: Fotograma do filme “Limite” Fotograma do filme “Limite” Fonte: https://bit.ly/2DsqqH8. Acesso em 30 de outubro de 2018.

Na imagem acima, um dos fotogramas mais icônicos do filme, a mulher abraça a si mesma com um olhar de desespero, os cabelos ao vento, com o mar ao fundo. A composição da imagem traz a emoção da personagem de forma intensa, característica do impressionismo.

Figura 23: Fotograma do filme “Limite” Fotograma do filme “Limite” Fonte: https://bit.ly/2qFMgJ6. Acesso em 30 de outubro de 2018.

A influência do cinema soviético de Eisenstein e a montagem intelectual22 também pode ser percebida em Limite, na forma como Mário Peixoto constrói as sequências, justapondo imagens para criar uma terceira ideia ou sensação na mente do espectador.

A obra de Mário Peixoto dialoga com o modernismo brasileiro ao trazer uma temática universal (a condição humana, o sofrimento, a solidão) mas ambientada no Brasil, com paisagens brasileiras (a região de Mangaratiba, no litoral do Rio de Janeiro). É uma antropofagia das vanguardas europeias, digerindo as técnicas e estéticas de lá e produzindo algo novo e brasileiro.

Mário Peixoto realizou uma obra que se inscreve no projeto modernista de atualização da inteligência nacional. [...] Limite é a nossa contribuição mais original ao cinema de vanguarda mundial. (SOUZA, 2004, p. 16)23

Figura 24: Imagem do trailer do filme “Drácula” Imagem do trailer do filme “Drácula” Fonte: https://bit.ly/2D8F8Qk. Acesso em 30 de outubro de 2018.

Figura 25: Fotograma do filme “Limite” Fotograma do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

A semelhança entre o olhar dos personagens nas figuras 24 e 25 denota a influência expressionista na obra brasileira. O olhar de terror, a iluminação contrastada no rosto, o fundo escuro, tudo contribui para a atmosfera de medo e angústia.

Figura 26: Imagem do filme “O gabinete do Dr. Caligari” Imagem do filme “O gabinete do Dr. Caligari” Fonte: https://bit.ly/2F0tq8Q. Acesso em 31 de ourubro de 2018.

Figura 27: Imagem do filme “Limite” Imagem do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

Nas figuras 26 e 27, percebe-se a similaridade nos enquadramentos e na posição dos personagens, sugerindo uma referência visual direta ao clássico expressionista.

Figura 28: Imagem do filme “Metrópolis” Imagem do filme “Metrópolis” Fonte: https://bit.ly/2D8jH6h. Acesso em 31 de outubro de 2018.

Figura 29: Fotograma do filme “Limite” Fotograma do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

A figura 29 mostra a influência da estética de Metrópolis (figura 28), com o uso de máquinas e engrenagens em close, remetendo à industrialização e ao ritmo frenético da modernidade, tema caro aos futuristas e também presente em Limite através da montagem rítmica.

Figura 30: Fotogramas do filme “Les feux de la mer” Fotogramas do filme “Les feux de la mer” Fonte: https://bit.ly/2qD6Jqj. Acesso em 30 de outubro de 2018.

Figura 31: Fotogramas do filme “Limite” Fotogramas do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

A comparação entre as figuras 30 e 31 mostra a influência do impressionismo francês, especificamente de Jean Epstein, no uso de superposições e planos do mar para criar uma atmosfera poética e fluida.

Figura 32: Fotogramas do filme “Limite” Fotogramas do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

Figura 33: Fotogramas do filme “Estrela do Mar” Fotogramas do filme “Estrela do Mar” Fonte: https://bit.ly/2z6vXjC. Acesso em 30 de outubro de 2018.

A figura 33, do filme surrealista A Estrela do Mar (L'Étoile de mer) de Man Ray, apresenta uma distorção visual semelhante à usada por Peixoto na figura 32, onde a imagem vista através de um vidro ou superfície deformada altera a percepção do real, característica marcante do surrealismo.

Figura 34: Fotograma do filme “A Queda da casa Usher” Fotograma do filme “A Queda da casa Usher” Fonte: https://bit.ly/2yZh9Cq. Acesso em 08 de novembro de 2018.

Figura 35: Fotograma do filme “Limite” Fotograma do filme “Limite” Fonte: Imagem retirada do filme.

Por fim, a comparação com A Queda da Casa de Usher (figura 34) reforça a conexão com o impressionismo e a busca pela fotogenia, onde o close no rosto, a iluminação e a textura da imagem transmitem a interioridade dos personagens.24

Limite ficou perdido por muitos anos e só foi restaurado na década de 70, quando foi reconhecido internacionalmente como uma obra-prima do cinema de vanguarda.25 Hoje é considerado o melhor filme brasileiro de todos os tempos pela crítica especializada.26 Sua importância reside justamente na coragem de Mário Peixoto em romper com o cinema comercial da época e fazer um filme puramente artístico, visual e poético, dialogando de igual para igual com as grandes obras das vanguardas europeias.27

5. CONCLUSÃO

A intenção deste trabalho foi compreender como a arte moderna influenciou o cinema, especificamente o filme Limite, de Mário Peixoto. Através da análise das vanguardas europeias e suas características, foi possível traçar um paralelo com o movimento modernista no Brasil e entender como essas influências chegaram aqui e foram transformadas em algo nacional.

Ao estudar Limite, percebe-se que a obra é um reflexo direto desse momento de efervescência cultural e artística. O filme não apenas "bebe" das fontes europeias, mas as digere e cria uma linguagem própria, única e brasileira. A subjetividade, o onírico, a angústia e a experimentação estética presentes no filme são marcas indeléveis da arte moderna que permearam a visão de Mário Peixoto.

Conclui-se que Limite é uma obra fundamental para entender não apenas o cinema brasileiro, mas a própria inserção do Brasil no contexto da arte moderna mundial. O filme prova que o cinema é uma arte capaz de dialogar com a pintura, a literatura e a filosofia, e que a linguagem cinematográfica pode ser tão complexa e profunda quanto qualquer outra forma de expressão artística.

6. REFERÊNCIAS

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  • BALAKIAN, Anna. O surrealismo: o caminho para o absoluto. São Paulo: Perspectiva, 1974.
  • CROCE, Benedetto. A estética. Lisboa: Edições 70, 1924.
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  • GOULD, Michael. Surrealism and the Cinema. London: Tantivy Press, 1976.
  • HELENA, Lúcia. Movimentos da vanguarda europeia. São Paulo: Editora Scipione, 1993.
  • ITAÚ CULTURAL. Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br. Acesso em: 07 nov. 2018.
  • LOBATO, Monteiro. Paranoia ou mistificação? O Estado de S. Paulo, 20 dez. 1917.
  • MALFATTI, Anita. A chegada da arte moderna no Brasil. Conferência realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1951.
  • MARINETTI, Filippo Tommaso. Manifesto Futurista. Le Figaro, Paris, 20 fev. 1909.
  • MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006.
  • MELLO, Saulo Pereira de. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
  • PAGLIA, Camille. Imagens cintilantes: uma viagem através da arte desde o Egito a Star Wars. Rio de Janeiro: Apicuri, 2014.
  • PEIXOTO, Mário. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
  • REWALD, John. História do Impressionismo. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
  • SANTOS, Graça. Vanguardas europeias e modernismo brasileiro. Lisboa: Editorial Presença, 2011.
  • SOUZA, José Inácio de Melo. Paulo Emílio Salles Gomes e a crítica de cinema no Brasil. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
  • TZARA, Tristan. Manifesto Dada. 1918.

REFERÊNCIAS FILMOGRÁFICAS

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  • ANÉMIC Cinéma. Direção: Marcel Duchamp. França: Rrose Sélavy, 1926. P&B.
  • DRÁCULA. Direção: Tod Browning. Estados Unidos: Universal Pictures, 1931. P&B.
  • ESTRELA do mar. Direção: Man Ray. França: Man Ray, 1928. P&B.
  • LIMITE. Direção: Mário Peixoto. Brasil: Cinédia, 1931. P&B.
  • METRÓPOLIS. Direção: Fritz Lang. Alemanha: UFA, 1927. P&B.
  • O GABINETE do Dr. Caligari. Direção: Robert Wiene. Alemanha: Decla-Bioscop, 1920. P&B.
  • O RETORNO à razão. Direção: Man Ray. França: Man Ray, 1923. P&B.
  • SPELLBOUND. Direção: Alfred Hitchcock. Estados Unidos: Selznick International Pictures, 1945. P&B.

Footnotes

  1. HELENA, Lúcia. Movimentos da vanguarda europeia. São Paulo: Editora Scipione, 1993, p. 08.

  2. SANTOS, Graça. Vanguardas europeias e modernismo brasileiro. Lisboa: Editorial Presença, 2011, p. 07.

  3. ITAÚ CULTURAL. Impressionismo. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3638/impressionismo. Acesso em: 07 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.

  4. SANTOS, Graça. Vanguardas europeias e modernismo brasileiro. Lisboa: Editorial Presença, 2011, p. 57.

  5. ITAÚ CULTURAL. Expressionismo. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3790/expressionismo. Acesso em: 07 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.

  6. MARINETTI, Filippo Tommaso. Manifesto Futurista. Le Figaro, Paris, 20 fev. 1909, p. 1.

  7. SANTOS, Graça. Vanguardas europeias e modernismo brasileiro. Lisboa: Editorial Presença, 2011, p. 166.

  8. PAGLIA, Camille. Imagens cintilantes: uma viagem através da arte desde o Egito a Star Wars. Rio de Janeiro: Apicuri, 2014, p. 37.

  9. AMARAL, Aracy A. Artes plásticas na Semana de 22. São Paulo: Editora 34, 1998, p. 116.

  10. MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 65.

  11. MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 77.

  12. MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 148.

  13. ARAÚJO, Luciana. O cinema de poesia. In: MASCARELLO, Fernando (org.). História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 71-72.

  14. MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 91.

  15. MASCARELLO, Fernando. História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 99.

  16. Ibid., p. 101.

  17. Ibid., p. 287.

  18. Ibid., p. 293.

  19. Ibid., p. 297.

  20. Ibid., p. 306.

  21. PEIXOTO, Mário. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

  22. Mário Peixoto sofreu forte influência de Eisenstein e do cinema soviético, principalmente na montagem dialética e intelectual, onde o sentido nasce da colisão entre dois planos.

  23. SOUZA, José Inácio de Melo. Paulo Emílio Salles Gomes e a crítica de cinema no Brasil. São Paulo: Cosac Naify, 2002, p. 16.

  24. PEIXOTO, Mário. Onde a terra acaba. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

  25. MELLO, Saulo Pereira de. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996, p. 43.

  26. SOUZA, José Inácio de Melo. Paulo Emílio Salles Gomes e a crítica de cinema no Brasil. São Paulo: Cosac Naify, 2002, p. 11.

  27. MELLO, Saulo Pereira de. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996, p. 30.